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segunda-feira, 8 de julho de 2013

o papel da gestão democrática nas instituições escolares do ensino primário



1.Introdução
 A educação constitui um marco indispensável na vida dos cidadãos de todas as nações do mundo. Como tal, as escolas como organizações onde envolve muitos actores, deve ser prioritário o envolvimento de todos nas diferentes tarefas para permitir um trabalho aberto e democrático.
O presente trabalho, com o tema: o papel da gestão democrática nas instituições escolares do ensino primário, pretende buscar um olhar diferente na gestão das escolas, dando maior enfâse na gestão democrática de modo que todos os intervenientes do processo possam participar activamente nas suas actividades evitando assim o surgimento de conflitos entre os membros da organização.
Para tal, a nossa metodologia basear-se-á na consulta bibliográfica e uma análise critica em torno do tema nas diferentes obras consultadas procurando fazer um olhar comparativo hipoteticamente em relação a realidade Moçambicana.
Sendo assim, a primeira parte do trabalho, reserva-se a introdução, conceitos, problema de estudo e a sua justificativa, objectivos e pergunta de partida segue-se o desenvolvimento teórico e por fim a conclusão.
2.Conceitos:
  • Escola democrática: aquela que afirma a “diversidade dentro de uma política de crítica e compromisso com a justiça social” (McLaren, 1997) apud Lima (Org) et all.
  • Gestão democrática: é uma forma de gerir uma instituição de maneira que possibilite a participação, transparência e democracia. Na gestão democrática, a participação de cada sujeito é fundamental e o reconhecimento de suas ideias e sua contribuição deve ser independente do nível hierárquico (Iris Pereira de Lima dos Santos, 2011).
  • Participação: para Lima (1992), a participação pode apreciar-se, na óptica política, como sendo considerada indispensável para a realização da democracia no país e mesmo a nível organizacional, caracterizando-se nos processos de decisão a nível de gestão e direcção, bem como das diversas actividades planeadas e realizadas com os intervenientes do processo educativo.[1]
Por outro lado, Alves-Pinto (o.c.pp.160), acrescenta dizendo que, numa perspectiva sociológica da acção, e partindo do princípio de que qualquer comportamento implica acção, considera que toda a pessoa que pertença a uma organização a todo o momento está a participar na vida da organização. Simplesmente, as pessoas na organização assumem a condição de actores uma vez elaboram estratégias para concretizar objectivos. Dai que a sua participação possa revestir diversas modalidades em função dos ganhos/perdas que a pessoa/actor anteveja como resultado da sua participação. Por isso mesmo, participar na organização não deixa de ser uma estratégia racional dos actores, e por isso, não participação é também, uma modalidade de participação. Em suma, quando se pensa que não se está a participar, está-se, afinal, a escolher uma modalidade específica da participação (ibidem)[2]
3.Problema de estudo e sua justificativa
Como nos diz Astley e Van de Ven (1983:263) apud Licínio C. Lima, se em certas áreas é pouco credível que na organização se possa operar sem ser referência a regras formais e um extenso conjunto de normas jurídicas, já em outras se admite claramente que tal possa suceder. Pode admitir-se que uma dada escola se proceda a uma implementação curricular que, nas suas grandes linhas (decididas por uma administração centralizada) não se afaste milimetricamente do que está uniformemente estabelecido. Porém, é possível que os órgãos da escola venham produzir regras não-formais quanto à organização dos conteúdos curriculares à avaliação dos alunos. Como tal, este processo deve ser feito com um conhecimento prévio de programação e distribuição das actividades para que o processo possa ser democrático e sem criar conflitos dentro da organização.
Diferentemente do que acontece em algumas instituições do ensino do nosso país (Moçambique). Digo algumas porque a minha experiencia profissional na área da docência, mostrou me situações de directores que tratam os funcionários docentes e não docentes como se estes fossem “robos” bastando para tal uma programação e ele faz tudo como foi programado inclusive o tempo programado não altera.
O ser humano é dinâmico e inteligente por essa razão, classifica-se no grupo dos animais como irracional.
Para Lima (2001), a participação representa uma forma de limitar certos tipos de poder e de separar certas formas de governo, garantindo a expressão de diferentes interesses e projectos com circulação na organização e a sua concorrência democrática em termos de influência no processo de tomada de decisões.
Por essa razão, o estudo do papel da gestão democrática nas instituições escolares do ensino primário permitirá despertar atenção aos gestores escolares para as novas tendências de gestão eficaz.
4.Objectivos
4.1.Objectivo geral:
Fazer uma abordagem em torno do papel da gestão democrática nas instituições escolares do ensino primário.
4.2.Objectivos específicos:
  • Criar uma relação de conceitos teóricos com as convivências do dia-a-dia nas organizações escolares;
  • Analisar hipoteticamente as formas de convivência nas organizações escolares no que concerne a gestão democrática;
  • Formular uma conclusão procurando fazer uma análise crítica da realidade Moçambique baseando-se na minha experiência profissional como docente, em conformidade com os conhecimentos teóricos.
5.Questão de partida
Até que ponto a gestão democrática nas organizações escolares é evidenciada?















6.Desenvolvimento teórico
Numa visão sociológica, as instituições sociais têm um universo alargado como nos reportam Ogburn & Nimkoff (1971) apud Lakatos (1987), outro tipo de organização são as associações cuja característica é serem mais especializadas e menos universo do que as instituições; em consequência, apresentam em geral, determinada adaptação às classes sociais. Clubes e outras associações específicas limitam, geralmente, a participação de seus membros de acordo com a sua posição social. Exemplos: clubes recreativos, sociedades secretos, etc.
Finchter (1973) apud Lakatos, conceitua instituição como “uma estrutura relativamente permanente de padrões, papéis e relações que os indivíduos realizam segundo determinadas formas sancionadas e unificadas, com o objectivo de satisfazer necessidades sócias básicas”. Tendo como características:
  • Finalidade: satisfação das necessidades sociais;
  • Conteúdo relativamente permanente: padrões, papéis e relações entre indivíduos da mesma cultura;
  • Serem estruturadas: há coesão entre os componentes, em virtude de combinações estruturais de padrões de comportamento;
  • Estrutura unificada: cada instituição, apesar de não poder ser completamente separada das demais. Funciona como uma unidade;
  • Possui valores: código de conduta.

Todas as instituições devem ter função e estrutura. Função é a meta ou o propósito do grupo, cujo objectivo seria regular suas necessidades (Lakatos, 1987). A estrutura é composta de pessoal, equipamentos, organização (disposição do pessoal e do equipamento, observando-se uma hierarquia-autoridade e subordinação); comportamento (normas que regulam a conduta e a atitude dos indivíduos).

Tabela 01: Estrutura das principais instituições sociais.
Partes da estrutura
Família
Igreja
Estado
Empresa
Escola
Modelos de atitudes e comportamentos
Afecto, amor, lealdade, respeito
Reverência, lealdade, temor, devolução
Subordinação, cooperação, temor, obediência.
Trabalho, economia, cooperação, lealdade.
Ensino, aprendizagem, cooperação, respeito.
Traços culturais simbólicos (símbolos)
Herdados, aliança, brasão, escudo de armas, bens imóveis.
Cruz, imagens, relicários, altar.
Bandeira, selo, emblema, hino.
Marca comercial, patente, emblema.
Emblema, símbolo da profissão, beca, borla, capelo.
Traços culturais utilitários (bens imóveis)
Lar, habitação, propriedades.
Igreja, catedral, templo.
Edifícios, públicos, obras públicas.
Loja, armazém, fábrica, oficina.
Edifícios das faculdades, campus
Códigos orais ou escritos
Certidão, casamento, testamento, genealogia
Credo, doutrina, bíblia, hinos.
Constituição, tratados, leis, estatutos.
Contratos, licença, franquias, estatutos.
Lei orgânico do ensino, regimentos, currículos.






Fonte: LAKATOS, Eva Maria. Sociologia geral; 5a edição; S.Paulo;Atlas; 1987

Fazendo uma retrospectiva, no que concerne a uma maior percepção das organizações, verifica-se que as suas doutrinas colocam questões actuais da maior importância para o estudo das mesmas, se levarmos em consideração, entre outros focos os seguintes no olhar de Chiavenato, 1987; Ferreira et al., 1996, 2001 apud FIRMINO, Manuel Brazinha, 2010:
O entendimento do papel do homem enquanto actor racional (abordagem clássica), do homem funcional (abordagem sócio-técnica), do homem sociológico (escola das relações humanas), do homem complexo (abordagens contingenciais), do homem político (abordagens políticas), do homem institucional, cultural e reflexivo (teorias ecológicas e sociocognitivas) e do homem colectivo na luta pela emancipação social (abordagens macro-sociais e críticas das organizações).
Numa perspectiva crítica ao antigo paradigma, taylorista podem ser abertas ou fechadas. As organizações são encaradas enquanto máquinas ou organismos vivos, como  sugerem abordagens contingenciais; a necessidade de uma relação equilibrada do homem com o sistema técnico (abordagens sócio-técnica); os grupos informais, as recompensas nas económicas e os valores (escola das relações humanas); a análise do poder do no interior das organizações e dos grupos detentores de influência externa; a organização, a tecnologia e a sua tipologia, e a influência das variáveis do meio ambiente (abordagem contingenciais); a organização enquanto produto do cérebro humano (teorias sociocognitivas);  a organização vista como resposta a necessidades e motivações
 Dos indivíduos e reflexo do seu comportamento (teoria da motivação); a organização entendida como sistema hemostático, em equilíbrio (teorias sistémicas); as teorias legitimadoras de estruturas, enquanto reflexo de normas subjacentes, de regras e de procedimentos (aprendizagem organizacional) e o problema da legitimidade da autoridade (a burocracia).

6.1.Algumas teorias recentes e a abordagem política das organizações
Peters & Waterman (1987) apud Firmino, apontam que após 1970, a perspectiva do sector social, e em sistema aberto, ganha importância, onde a abordagem sociocognitiva de Karl Weick enfatiza dizendo que, “uma organização é um corpo de pensamento pensado por pensadores pensantes”(citação da citação: Ferreira et al. , 1996 citado por Firmino, 2010). Esta abordagem assenta na acção intersubjectiva dos seres humanos, que molda as organizações através dos processos sociocognitivos.
A procura do óptimo não é obra apenas de um decisor, cada grupo, no sei da organização, tem interesses específicos, que podem ou não convergir com os interesses dos outros grupos, (o director duma escola pode divergir dos professores e estes, dos alunos); não se pode afirmar que a gestão centrada nos resultados é sempre melhor do que a centrada nas pessoas; a gestão participativa poderá implicar a negociação em domínios diversos, como por exemplo, nos acordos sobre tecnologia, contrariando a lógica do determinismo tecnológico; as estratégias dos actores, nos mais variados domínio, o curto, médio e longo prazo, podem ser conflituantes, tornando-se necessária a negociação ou mesmo a decisão conjunta. As mesmas forças que ameaçam o equilíbrio interno, com potencial antagonismo, conduzindo ao impasse poderão contribuir activamente para a criação de soluções inovadoras, que, graças ao entusiasmo colectivo e a uma maior responsabilização dos intervenientes, tornarão a escola mais competitiva (versão a partir de Firmino, 2010).
O estudo da participação nas organizações difere do estudo da participação em outras instituições e em grupos de factos, de acesso não voluntário, chamada participação de facto.[3]
Professores e alunos participam na escola pelo simples facto de serem membros da organização e de ai desenvolverem actividades como ensinar e aprender, leccionar aulas e frequentar aulas, avaliar e serem avaliados. Na medida em que tais actividades podem ser consideradas imprescindíveis para que se possa falar de escola de processo de ensino-aprendizagem, elas são requisitos decorrentes do status e das atribuições dos respectivos membros
6.2.Clima de trabalho e eficácia da escola
O papel do clima de trabalho no funcionamento de uma escola é um assunto que vem sendo tratado há alguns anos atrás, sendo um conceito popularizado após ter sido utilizado por  Gellerman (1964) com três definições distintas:
ü  Medida do clima definido por Frehand e Glimer (1964) citado por Brunet, referem a medida múltipla dos atributos organizacionais consiste na dimensão da empresa, tecnologias em uso, os níveis hierárquicos, a produtividade dos empregados.
ü  Quanto a medida perceptiva dos atributos individuais o clima é avaliado em função da satisfação das necessidades individuais em termos micro-percepção dos trabalhos.
ü  A medida perceptiva dos atributos organizacionais destaca-se pela reacção dos membros da organização, da sociedade e do indivíduo no seu meio de trabalho valorizando-se mais dos bens do que os objectivos.
Actualmente considera-se as recentes teorias sobre o clima organizacional em relação as primeiras duas definições; assim, o clima das organizações considera-se:
ü  Cada escola pode possuir uma personalidade própria e um clima específico;
ü  O comportamento e as políticas dos membros de direcção servem de referência para interpretar o clima existente:
ü  Esse clima funciona como força motriz do comportamento da organização.
6.3. As causas do clima
O clima faz parte do fenómeno cíclico com três variáveis determinantes:
ü  Estrutura que caracteriza-se pela dimensão da organização e níveis hierárquicos;
ü  Processo organizacional – estilo de direcção, gestão dos Recursos Humanos, modos de comunicação, modelos de resolução de conflitos, etc.
ü  Variável comportamental – funcionamento individual e de grupos que trabalha.
Para Fox, cada escola possui o seu clima em função de: tipo de programa, processos utilizados, condições ambientais (alunos, departamentos, membros da direcção, etc), o clima determina a qualidade da vida, sem bom clima não há condições para a eficácia da escola, quando o rendimento da escola não corresponde com os objectivos esperados a direcção da escola poderá alterar as três variáveis para melhorar o clima






















7. Conclusão
Depois de uma descrição detalhada dos dados teóricos e uma analise hipotética comparando a realidade Moçambicana com base na minha experiência como docente do ensino primário cronologicamente datado em sensivelmente 10 anos, conclui-se que é altura dos gestores escolares começarem a olhar para as novas tendências rumo ao alcance de resultados eficazes através da gestão democrática em vez de autocrático que muitas vezes os caracteriza.
Essa ideia é sustentada por vários autores como o caso do Xavier (1996),quando diz que, “a experiencia tem demostrado que uma educação de qualidade não pode ser obtida em sistemas educacionais e escolas envoltos em burocracias lentas e centralizadoras, preocupados excessivamente com normas e regulamentos e com uma estrutura hierárquica que não lhe confere agilidade na solução dos problemas.
Sabe-se, hoje, que a escola faz diferença, sim, no desempenho dos alunos, e que sua adequada gestão é indiscutível para o adequado atingimento de seus objectivos. Há provas contundentes de que a gestão é uma componente decisiva da eficácia escolar. Inúmeros estudos, no Brasil e no exterior, vêm comprovando que escolas bem dirigidas e organizadas são mais eficazes”.
















Bibliografia
FIRMINO, Manuel Brazinha. Gestão das organizações (conceitos e tendências actuais), Escolar Editora; 4a edição; Lisboa; 2010,2009,2007,2002.
NÓVOA, António (coord). As organizações escolares em análise; Dom Quixote, Lda; Lisboa; 1992;
LAKATOS, Eva Maria. Sociologia geral, atlas, 5a edição , S.Paulo, 1987;
LIMA, Lícinio C. A escola como organização educativa; Cortez Editora; S.Paulo; 2001;
LIMA, Licínio C.(Org), SILVA, Eugénio A. et all. Perspectivas de analise organizacional das escolas; Fundação Manuel Leão, 2011;
SANTOS, Iris Pereira de Lima. A gestão democrática da escola: As relações político-pedagógica do docente e seu gestor; Salvador/BA, 2011
 XAVIER, António Carlos da R. A gestão da qualidade e a excelência dos serviços educacionais: Custos e benefícios de sua implementação; Brasília, 1996


[1] http://www.ipv.pt/millenium25/25-34.htm
[2] http://www.ipv.pt/millenium25/25-34htm
[3] Uma visão de Albert Meister (1974:26) citado por Lima

domingo, 7 de julho de 2013

O papel da educação sexual nas escolas do ensino básico nas zonas rurais




 Por: Carlos Nivagara

O papel da educação sexual nas escolas do ensino básico nas zonas rurais
 
A temática da sexualidade exige actualização, hábito de estudo, compromisso e responsabilidade. Construir um caráter de continuidade e de ressignificação, uma vez que o cotidiano escolar é um ambiente dinâmico e repleto de significação.
Trabalhar com a orientação sexual envolve sentimentos e desejos e, portanto, a temática não pode ser abordada só com explicações sobre a anatomia e a fisiologia dos aparelhos reprodutores e com palestras médicas. Deve ser feita com “afeto”, sem constrangimentos, através de um programa que possibilite comunicar aos pais sobre a iniciativa, a necessidade e a importância da temática na formação dos seus filhos, bem como, sobre a necessidade de diálogo com a família no decorrer do desenvolvimento desse tema.
Crianças e adolescentes estão descobrindo os limites do próprio corpo e a sexualidade. O sexo é parte da vida das pessoas é por essa razão que a escola e a família devem ajudar a construir desde cedo uma visão sem mitos nem preconceitos. Sendo assim, neste trabalho o nosso foco insidir-se-a na descrição do papel da educação sexual nas escolas do ensino básico nas zonas rurais ondena primeira parte depois da inrodução, segue –se o desenvolvimento teorico e por fim a conclusão.
Objectivos do trabalho
Objectivo geral
Analisar o papel da educação sexual nas escolas do ensino básico nas zonas rurais
Objectivos específicos
ü  Identificar o papel da educação sexual nas escola do ensino básico nas zonas rurais;
ü  Descrever o papel da educação sexual nas escolas do ensino básico nas zonas rurais;
ü  Propôr sugestões caso necessário.

Problema de estudo e sua justificativa
Desde bebês, sentimos prazer em tocar o próprio corpo e descobrir as diferentes sensações que ele nos proporciona. Logo, fingir que a criança e os adolescentes não passam por esse processo é negar a realidade. É também desconhecer que mesmo quando não falamos sobre sexo estamos educando.
Muitas famílias temem que as conversas sobre sexo levem a iniciação sexual do adolescente, o que não é o objetivo da proposta educativa. Por isso, tem-se notado muita das vezes gravidezes precosses ou indesejadas, assim como em últimas consequêcias infecções de doênças sexualmete transmitiveis no geral e nas zonas rurais com maiores índices. Neste sentido estudar este tema é muito relevante, uma vez a sua implementação nas escolas ajudarias as crianças e aos pais/e ou encarregados de educação a refletirem sobre o assunto.
Enfatizar que o papel da escola é trabalhar informações científicas, contextualizá-las, propiciar o debate de temas pertinentes à idade de cada turma, objetivando que os jovens tenham uma vida saudável e entendam o que acontece com eles em relação a sua anatomia e a sua fisiologia. Deixar claro que os valores morais e religiosos da família não serão questionados. E, proporcionar atividades paralelas aos alunos cujos pais se oponham à participação do filho nas atividades de Orientação Sexual.
A Orientação Sexual oportuniza uma parceria com a família abre um espaço para que educadores e pais atuem juntos na formação de crianças e de adolescentes, aproximando a família e a escola num processo de interação. Além de possibilitar discussões que favoreçam o ambiente familiar e de sala de aula, melhora o relacionamento entre pais e educadores garantindo confiabilidade ao trabalho educativo. Contudo é imprescindível que os educadores percebam que sua atuação no processo educativo não é mais uma ação isolada, que as parcerias, a construção coletiva, o diálogo poderão fomentar uma atividade criativa, gratificante e de qualidade, e certamente melhorar a interação escola, família e comunidade (Edvania Santos Correia).


Desenvolvimento teórico
A história da educação sexual é pois recente, é protagonizada por diversos actores sociais entre os quais: Igreja Católica, classe(s) política(s), as associações de pais, os professores e escolas, e os movimentos e grupos que de algum modo têm a sexualidade como tema de intervenção.
As doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez na adolescência, têm sido uma preocupação de muitos investigadores estrangeiros e portugueses. Esta problemática alertou para a necessidade de existir na Escola um espaço formal onde os alunos tivessem oportunidade de colocar as suas questões, pois constatamos em alguns livros e artigos sobre o assunto que cada vez mais cedo os jovens têm uma vida sexualmente activa (Lopez et al., 1986; Sampaio, 1987; Rodrigues e Fontes, 1998; Ruela, 1999). Consciente da importância da educação sexual escolar, nomeadamente pelo facto desta proporcionar aos jovens um desenvolvimento mais equilibrado da sua personalidade, possibilitando-lhes opções mais responsáveis sobre a sua própria sexualidade,
Segundo Maria Helena Vilela (2013), quando se fala em educação sexual, a primeira coisa que deve passar pela cabeça da maioria dos adolescentes é: USE CAMISINHA! Mas esta recomendação é apenas uma pequena parte da educação sexual. Na verdade educação sexual é um "ninho" de valores e expectativas preparado pelos pais antes mesmo do nosso nascimento. Para se ter uma idéia, a própria escolha do nome traz embutidas  expectativas de traços  que os pais desejam que seus filhos desenvolvam ao longo da vida. Assim, desde muito cedo, a criança é ensinada a se comportar de acordo com seu gênero e a aprender a se relacionar sexualmente com a sociedade. Com aplausos em alguns momentos e broncas em outros para corrigir ou adequar o comportamento sexual e o jeito de ser mulher ou homem, nós vamos sendo educados desde o dia do nascimento até a morte. Entretanto, a educação sexual não é privilégio apenas dos pais, mas de todas as pessoas que se tornam significativas na nossa vida, como, amigos, professores, ídolos; as experiências e oportunidades que cada um pode viver e, também,as informações e opiniões da mídia e da internet, desempenham papel importante na educação sexual.
O objetivo principal da educação sexual é preparar os adolescentes para a vida sexual de forma segura, chamando-os à responsabilidade de cuidar de seu próprio corpo para que não ocorram situações futuras indesejadas, como a contração de uma doença ou uma gravidez precoce e indesejada. Infelizmente o ser humano tende a acreditar que o perigo sempre está ao lado de outras pessoas e que nada irá acontecer com ele mesmo, o que o coloca vulnerável a tais situações.
Por outro lado, ha que se tomar em consideracao que os meios de comunicação, entre tantos outros que utilizam o sexo para chamar a atenção das pessoas, acabam por estimular e criar curiosidades precoces até em crianças, o que dificulta bastante o processo de conscientização e responsabilidade individual dessas sobre o assunto. Dessa forma, se torna cada vez mais importante ensinar os adolescentes quanto ao assunto, isso dentro de casa e nas instituições de ensino. 
Uma adolescente que engravida nesse período de transição corpórea pode sofrer muitos problemas de saúde, como anemia, parto prematuro, vulnerabilidade a infecções, depressão pós-parto, hipertensão, inchaço, retenção de líquidos, eclampsia, convulsões e até mesmo a morte. Apesar de problemas fisiológicos, quando uma adolescente engravida, ela passa também por problemas psicológicos, pois a mudança de vida rápida exige grande adaptação e isso pode gerar conflitos, pois uma grande etapa de sua vida foi pulada.
Olhando pela razão acima apontada, é importante que falar de sexo com crianças e adolescentes seja papel dos pais, Sim, mas também que esse assunto seja abordado em outros ambientes de convivência dos jovens, principalmente na escola. Afinal é no ambiente de estudos que aparecem as principais mudanças nas relações afetivas entre as crianças e os jovens: no primeiro ciclo de aprendizagem, o namoro inocente; já no Ensino Médio, namoros que fomentam vontades e descobertas sexuais se tornam mais comuns.
Para Gabriela Cabral (2013), orientar é ajudar a criança e o adolescente com diálogo, apoio e compreensão - a sentir-se seguro e capaz de tomar decisões importantes. Sabemos, por outro lado, que o efeito comunicativo da educação é passado mais por atitudes do que por informações. Portanto, em primeiro lugar, é desejável que os pais tentem refletir e superar sua postura repressora, carregada de mitos e preconceitos sexuais. Significa uma tomada de consciência sobre a própria sexualidade. É a velha história: "Faço comigo, o que fizeram comigo. Faço com os outros, o que faço comigo" (Wolber de Alvarenga apud Cabral). Os jovens preferem à família como principal agente de educação em sexualidade, porém referem sentir enorme dificuldade de comunicação, em geral, ainda mais sobre o tema sexualidade. A ausência dos pais acaba por facilitar com que a mídia ocupe o papel principal de socialização da criança e do adolescente.
Por outro lado, Gerson Lopes, acrescenta dizendo que, na relação pais e filhos a educação para o amor e educação para a sexualidade não dá para terceirizar. A família tem que assumir o seu papel fundamental; podendo, entretanto, contar com a ajuda do medico, do educador, etc.
É preciso cotizar o tempo da melhor forma possível entre todas as necessidades na educação dos filhos. A quantidade de tempo que os pais passam com os filhos, porém, não significa necessariamente em uma boa relação. É preciso que melhoremos a qualidade da relação nos momentos nos quais estamos com a família, seja com filhos, seja com o (a) companheiro (a).
"O papel da unidade familiar é extremamente importante e começa pelo próprio fato dos pais viverem uma família coesa, unida e ordenada, respeitável no sentido de funcionar como um modelo a ser observado pelos jovens, modelo esse que eles vão procurar duplicar eventualmente, quando chegar a sua vez. Esse é um componente oficioso, digamos assim, daquilo que se chama formalmente de Educação Sexual, pois tudo depende de um processo de ensino/aprendizado, que começa muito precocemente em casa, desde o momento em que a criança observa e abstrai da vida dos seus familiares aquele conjunto de fatos que eventualmente lhe serão marcantes por todo o resto de sua existência", assim diz Ronald Bossemeyer, conhecido ginecologista brasileiro.
A adolescência é uma verdadeira e autêntica fase evolutiva do ser humano, deve ser considerada desde os vértices biológico, social e psicológico, aprofundando cada área para integra--los na compreensão da personalidade adolescente de nossa época. Ou seja, tudo o que é fundamental de todo o desenvolvimento humano, os fatores sócio políticos e econômicos participam de forma intensa nesta transformação (KNOBEL, 2001 apud Fabiana Cristina Costa).
O início da adolescência está nitidamente marcado pela puberdade, conjunto de transformações psicofisiológicas ligadas à maturação sexual, que traduzem a passagem progressiva da infância à adolescência (TIBA, 1986 apud Costa ). Já o fim da adolescência não é tão nitidamente demarcado. 0 crescimento e o amadurecimento orgânicos acontecem mais rápido do que o psicológico e o intelectual. Sexualmente, o indivíduo atinge muito cedo a condição de adulto, isto é, adquire a capacidade de procriar, mas é psicologicamente imaturo para assumir tais mudanças, e é aí que as confusões se agravam, pois esta fase exige maior elaboração emocional dos acontecimentos biológicos. KNOBEL (2001) apud Costa, chama esta fase de “luto”, onde ocorre a adaptação e redefinição de sua imagem corporal, aparecimento de características sexuais, elaboração de seus próprios valores~ identificação com seu próprio grupo e não com o grupo de seus pais, e a assunção de papéis sexuais que pertencem somente a ele.
A identidade adulta não é alcançada antes que o adolescente tenha elaborado e/ou conscientizado o que podem ser consideradas as três “perdas” fundamentais deste período evolutivo: 1. A perda do corpo infantil, 2. A perda dos pais da infância; 3. A perda de identidade e papel sócio familiar infantil (KNOBEL, 2001 apud Costa ). Esta fase não pode ser considerada de transição só para o adolescente, pois os pais, também precisam habituar se com as mudanças, pois seus “fantasmas” são tocados, eles têm que entrar em contato com suas próprias dificuldades, para então, debaterem com seus filhos, assuntos que por muitas vezes são embaraçosos, ou ainda nem resolvidos. Segundo WUSTOHOF (1994) apud Costa, os pais ficam inseguros ao perceber que seus filhos estão se tornando adultos e fazem um esforço tremendo para parar no tempo, tentando tratar os jovens como eternas criancinhas. Da dificuldade em educar seus filhos com relação à sexualidade, percebe se cada vez mais a transferência desse papel à escola, pois é no “ambiente escola” que ocorre um dos mais importantes processos da adolescência, a socialização comunitária. É lá que os adolescentes se sentem mais à vontade para trazer suas angústias. A escola é um espaço social significativo para onde o adolescente pode levar suas experiências de vida, suas curiosidades, fantasias, dúvidas e inquietações sobre sexualidade (TIBA, 1986; JESUS; 2000 apud Costa). Isto ocorre porque na verdade a educação pode acontecer mais informalmente. Com relação ao aspecto informal, preocupa o fato de que os adolescentes podem aprender com outros adolescentes, os riscos são grandes, porque estes podem ser tão despreparados quanto eles e uma informação distorcida passada adiante pode trazer conseqüências que repercutirão provavelmente em sua saúde.


Conclusão
Chegado ao extremo final deste trabalho, conclui-se que, a sociedade atual a, sexualidade ainda é um tema delicado, pois vem carregada de preconceitos e tabus gerados pela repressão social e familiar. Este contexto traz grande preocupação por parte dos pais sobre o exercício da sexualidade de seus filhos, uma vez que o mesmo ameaça a ordem e a organização familiar. A educação sexual dos adultos está embasada nas percepções e distorções de seus pais, que são em grande parte fruto de uma formação inadequada ou equivocada e, não evoluiu muito do tempo vivido por nossos predecessores até os dias de hoje, principalmente, quanto à conotação, ao sentido e significados impregnados às palavras relativas à Sexualidade.
No passado, a repressão era eficiente no sentido de conter a expressão da sexualidade dos adolescentes, em especial no sexo feminino. Hoje, com a facilidade de acesso às informações, as conquistas do movimento feminista, um novo contexto sócio, político e econômico, a adolescência passa a incorporar novas características, as quais contribuíram significativamente para a iniciação sexual precoce deste grupo. Os adolescentes iniciam sua vida sexual cedo, por curiosidade, pressão do grupo, falta de coragem para dizer não, paixão, uso de drogas e álcool.
Estas mudanças, principalmente no que diz respeito a comportamento, trouxeram ao adolescente aspectos positivos, como maior autonomia e liberdade de expressão, mas trouxeram consigo também, aspectos negativos, que tem trazido prejuízos para os adolescentes em geral e para toda a sociedade. O aumento da incidência de gravidez indesejada, e do número de casos de Doenças Sexualmente Transmissíveis/ AIDS na adolescência, refletem diretamente os problemas acarretados por essa mudança comportamental. Isso provoca espanto quando consideramos que esta população recebe informações e vem abordando os temas como exercício da sexualidade, anticoncepção e riscos de doenças sexualmente transmissíveis, de uma forma incansável e ainda assim, os diferentes métodos contraceptivos e os variantes sexuais ainda não são de pleno domínio dos jovens e a maioria, não se considera vulnerável a esses problemas. Através das estatísticas, podemos perceber que a transmissão de informações não está acontecendo de forma, adequada, talvez não estejam discutindo o assunto de forma que os adolescentes desejam que sejam discutidos.

Bibliografia
CORREIA, Edvania Santos. A Orientação Sexual deve ser uma parceria entre a escola e a família; UFAL
COSTA, Fabiana Cristina.  O papel do enfermeiro na orientação sexual de adolescentes no ambiente escolar; Universidade de Santo Amaro, UNISA 2001;

LOPES, Gerson. O papel da família na educação sexual do filho;  Vinho e Sexualidade.htm; 2013